69. Fome, Knut Hamsun

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Sinopse, no Pó dos Livros: A acção de «Fome», um romance marcante e considerado um clássico da literatura mundial, decorre nos finais do século XIX. O narrador, um jovem escritor, um homem solitário, deambula pelas ruas de Kristiania (actual Oslo) numa miséria extrema, enregelado pelo frio e tolhido pela fome. Essa miséria em que vive provoca-lhe momentos de delírio e violentas variações de humor. Mas cedo nos apercebemos de que a “fome” desse sonhador não é apenas física. Há a procura de uma identidade e de um reconhecimento dentro das suas próprias alucinações.

Livro curto, com a tradução de Carlos Drummond de Andrade. Eu gostei bastante do livro, achei bastante interessante o modo como é autobiográfico. As desventuras de um escritor que passa fome e necessidade enquanto vende artigo a artigo com a esperança de poder se ver em dias melhores.  A descrição da fome é impressionante, cheguei a sentir dores e náuseas junto ao personagem, como se a fome dele a mim se estendesse, principalmente quando o mesmo chega a um estágio que já não consegue mais comer sem sentir as dores e náuseas, sem ter paz. O autor norueguês ganhou em 1920 o prêmio Nobel com o livro “Frutas da terra”, não fez discurso e até mesmo esqueceu o cheque do prêmio, para ser bem sincera só pela história desse episódio já fiquei curiosa para ler o livro rs.

Trecho:

“Que doença era a minha? Teria sido eu apontado pelo indicador da mão de Deus? Mas por que precisamente eu? Por que não, por exemplo, um homem que estivesse na América do Sul? Quanto mais refletia nisso, mais me parecia inconcebível que a Graça Divina me tivesse escolhido justamente como cobaia, para realizar seus caprichos. Que modo estranho de agir: saltar por cima do mundo inteiro para me atingir a mim, quando Ela tinha debaixo da mão tanto um livreiro-antiquário, Pacha, como um comissário marítimo, Hennechen.”

68. O reconhecimento de Sakuntala, Kalidasa

Kalidasa foi um renomado poeta e dramaturgo sânscrito clássico. A poesia deste livro é muito antiga e muito difícil de acompanhar, baseia-se (como os outros livros indianos) na mitologia e filosofia hindu. A história do rei Dushyanta em uma caçada encontra Shakuntala, filha adotiva de um sábio e casa-se com ele. Porém ao ser convocado para voltar a corte descobre que Shakuntala está grávida, esta por sua vez ofende um sábio que a amaldiçoa fazendo com que o rei a esqueça até que ele veja o anel que deixou com ela. Porém ela perde o anel e vem embora sem ter sido reconhecida. Um pescador do local reconhece o selo real e o devolve ao rei, que recupera a memória e passa a buscar Shakuntala e claro, se unem ao final.

 

A lista negra, Jennifer Brown

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Sinopse: Abril. Um mês que, inevitavelmente, será sempre lembrado pelo horror de massacres ocorridos em escolas por jovens: 20 de abril de 1999, Columbine, Estados Unidos; 26 de abril de 2002 , Erfurt, Alemanha; 16 de abril de 2007, Virginia Tech, também nos EUA; e 7 de abril de 2011, Realengo, Brasil. Além desses, muitos outros já ocuparam os noticiários do mundo inteiro, chocando pela violência com que jovens assassinam seus próprios colegas. É com um noticiário como esse que o romance A lista negra abre suas páginas. Lançado agora no Brasil pela Editora Gutenberg, a obra Jennifer Brown é uma ficção que mergulha no mundo juvenil repleto por situações marcadas pelo bullying, preconceito e rejeição.Essa é a história de Val e Nick. Eles são dois adolescentes que se conhecem no primeiro ano do ensino médio e se identificam de imediato. Val convive com pais ausentes, que brigam o tempo todo e só criticam suas roupas e atitudes. Nick tem uma mãe divorciada que vive em bares atrás de novos namorados. Os dois são alvo de bullying por parte de seus colegas do Colégio Garvin. Nick apanha dos atletas e Val sofre com os apelidos dados pelas meninas bonitas e populares. Ambos compartilham suas angústias num caderno com o nome de todos e tudo que odeiam, criando um oásis, um local de fuga, um momento de desabafo, pelo menos para Val. Já Nick não encara a lista e os comentários como uma simples piada. Há alguns meses, ele abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista das pessoas e das coisas que ela e Nick odiavam. A lista que ele usou para escolher seus alvos.

 Eu não gostei deste livro, acho que a Marília vai me bater mas que fazer? Eu não gostei. O começo foi ruim de acompanhar, bem lento e sem grandes acontecimentos, do meio pro final já tinha me apegado com a Val, mas talvez porque criei empatia pela família descompensada da coitada, a mãe é meio doida, o pai é um escroto e até o irmão tava chato no final da história. O fato é que quem foi o responsável pela chacina foi Nick, ele é quem atirou e não se sabe porque motivo, razão ou circunstância a família da coitada culpa a menina.

Aí dá para pensar que talvez a mãe dela a culpe por escolher mal o namorado, mas ao longo da história a gente percebe que o marido (pai da Val) não é nem de longe coisa que preste. Algumas pessoas culpam a garota na escola, só que misteriosamente assim que a menina que ela salva começa a defendê-la todo mundo, subitamente, muda de opinião (¬¬).

Simulação

- Ah, a culpa é da Val!

menina que a Val salvou: – Não é não!

- Ah você tem razão, não é

Também achei bizarro o psicólogo falando que ela não deve se culpar, por que ela se culparia? E em nenhum momento parece que ela sente lá muita culpa, só se sente retraída porque afinal de contas as pessoas olham feio, ficam longe e a própria família a trata como maluca, qualquer um se sentiria mal em ambiente assim.

E culpar alguém por ter uma lista negra? Gente, eu mesma tenho uma lista negra mental, acho que é humano, todo mundo tem seus preferidos e gente que bem que a gente queria dar umas boas bifas, mas nem todo mundo faz não é? Se a gente fosse ser culpado só por pensamento não ia sobrar uma viva alma em liberdade.

O momento mais estranho é que no final, quando a garota é homenageada a família toda se emociona, depois de tratar a garota como maluca, culpada, aquele pai horrendo que sequer a leva para a polícia após ser ameaçada, o irmão que dá pitis que a gente nem entende porque estão no texto e no final todo mundo emocionado e feliz….fuen.

Bom, eu não gostei, mas não é ruim, acho que tem livros bem piores por aí, recomendaria apesar de tudo porque até hoje só vi eu que não gostou e as resenhas, de forma maciça, são super favoráveis ao livro. É isso, beijos.

64. O poema, Paul Celan

 

Autor filho de judeus de língua alemã, poeta do pós guerra que registrou a marca do terror nazista. O livro é triste, do tipo de poesia que eu gosto, retirei o que mais gostei.

Diante do teu rosto tardio
Diante do teu rosto tardio,
solitário entre
noites que também me transformam,
algo se imobilizou
que já outrora estivera connosco, in
tocado por pensamentos.